A proposta do Solar é homenagear um compositor em cada Sarau.
Nosso homenageado é Pattapio Silva (1880-1907); escolhemos algumas de suas peças para compor a espinha dorsal do programa, que é completado com outros compositores, num diálogo charmoso, divertido, e significativo.
No final do século XIX alguns dos gêneros que viriam a ser conhecidos mais tarde como expressão típica da musicalidade brasileira – como o choro e o samba - estavam em gestação, especialmente no Rio de Janeiro. É a época de Ernesto Nazareth (1863-1934), Chiquinha Gonzaga (1847-1935), Joaquim Callado (1848-1880) e Pattapio (ou Patápio, na grafia moderna) Silva.
Ritmos de dança europeus como a polca, a valsa e o schottisch iam se amorenando, aos poucos. O tango brasileiro estava em alta. A modinha já era "nossa"; há indícios de que tenha aparecido em terras brasileras antes de tornar-se portuguesa. O lundú não deixava dúvidas quanto à sua origem: a senzala.
Pattapio Silva foi um brilhante flautista e compositor que viveu apenas 26 anos, e deste curto período deixou uma dúzia de encantadoras composições para seu instrumento, e algumas gravações. Mulato, interiorano, enfrentou enormes obstáculos até conseguir um lugar ao sol na conservadora vida musical e social carioca.
O estilo de suas composições é mais próximo da música européia do que o de seus contemporâneos; tivesse vivido mais, teria ele se transformado em um compositor “erudito”? Um Nepomuceno flautista? Nunca saberemos.
De qualquer forma, sua música parece estar em casa, tanto ao lado da música de Chiquinha e de Callado (outro flautista/compositor, autor de Flor Amorosa, tida como o primeiro choro da história), quanto ao lado de Chopin ou de Andersen (flautista/compositor dinamarquês, um dos fundadores da Filarmônica de Berlim).
Podemos ouvir Pattapio de novo(!), graças aos esforços do selo Revivendo, que lançou um CD com gravações remasterizadas do grande flautista. Ali vemos que Pattapio tocava - além de transcrições de Chopin e Schubert - árias e variações dos compositores-flautistas europeus: Wilhelm Popp, Adolph Terschak, Ernesto Köhler.
Assim como eles, Pattapio compôs música talhada à perfeição para o seu instrumento, e de caráter leve, lírico, sentimental, e virtuosístico - bem distante dos românticos "peso-pesado" como Brahms e César Franck - mas nem por isso muito próximo do tbém flautista e já-chorão Callado.
O fato de Pattapio ser às vezes considerado um compositor de choro é um desses tantos equívocos misteriosos que cercam a música brasileira, essa desconhecida...
Para aqueles(elas) que gostam de se aprofundar: o informativo (que se chama... Pattapio !) da Associação Brasileira de Flautistas (ABRAF) dedicou boa parte da edição de maio de 2007 (centenário de morte) ao nosso herói. Pode ser acessado
aqui.
Sarau Pattapio

Artur & Dunia Elias, flauta & piano
4ª feira, 23 de abril, às 18:30
no Solar dos Câmara
(ao lado da Assembléia Legislativa, entrada pela Duque de Caxias)
entrada franca